Sábado, 15 de Novembro de 2008

Vagabundos no Trilho da Chão – PR8 de Viana do Castelo

Primeiro de Novembro de 2008, dia de todos os Santos. Bem cedo, os vagabundos Hélder e Paulo encontraram-se em Gaia, tendo depois rumado a Vila do Conde, para se encontrarem com a Cláudia e o Nuno. O destino era Viana do Castelo, com o intuito de efectuarem o PR8 local. Após uma paragem nas imediações da cidade, para o tradicional pingo, lá rumaram, ainda de carro, até ao local onde se inicia este trajecto.

O dia encontrava-se muito agradável para uma actividade deste género. Sem demasiadas nuvens nem demasiado sol, sem demasiado frio nem demasiado calor, sem chuva mas com alguma humidade do terreno, fruto das chuvas dessa semana. Este era um típico dia de Outono, em que tudo tem uma beleza fascinante.

Começamos no meio de uma povoação, mais propriamente junto do edifício da Sociedade de Instrução e Recreio de Carreço. Logo no início fizemos um pequeno desvio, em busca de umas gravuras rupestres, mas em boa verdade, não as conseguimos identificar. Fomo-nos afastando, em direcção à serra.

Com um traçado que na sua fase inicial é sempre a subir, com muita vegetação e terreno a alternar a terra com a pedra, quando nos começamos a aproximar dos pontos mais altos começamos a ter uma visão fantástica. É que apesar de estarmos a subir a serra, quando a altitude já o permite, também se consegue ver o mar e a praia de Vila Praia de Âncora, com o monte de Santa Tecla, na Galiza ao fundo, numa harmoniosa combinação de ambos os elementos, serra e mar, num verdadeiro capricho da natureza.

 Quando chegamos perto do topo, encontramos uma espécie de planalto. Em nossa opinião, é sempre muito agradável esta forma de relevo, pois permite-nos apreciar em todo o seu esplendor, o topo da montanha, sem um cansaço muito grande. A frescura do ar é fabulosa e em geral, encontram-se sempre animais muito simpáticos por estas paragens. Neste caso, para além de algumas aves, cruzamo-nos sobretudo com cavalos selvagens, os Garranos e vacas, as tradicionais Barrosãs, uma das quais apresentava uma característica bastante diferenciadora: a presença de um único corno! Para além disso, a paisagem é sempre muito agradável.

Finalmente, com mais um pouco de esforço, não só físico mas também cutâneo, lá fizemos a escalada final, pelo chamado “caminho de pé posto”, até alcançarmos o marco geodésico (caros Luís e Vítor, da próxima vez, já não precisam fazer figurinhas tolas, ok?), que assinala o ponto mais alto desta serra de Santa Luzia (550 m). Estávamos na dúvida entre merendarmos aqui ou procurarmos a casa florestal, cuja indicação tínhamos encontrado antes da subida ao marco geodésico. Como era cedo, optamos por apreciar a paisagem e descer em seguida, para comermos num local mais abrigado. O vento aqui faz-se sentir de forma intensa, tal como a beleza da paisagem. É verdadeiramente impressionante olhar em redor e ver serra a perder de vista.

Quando a fome começou a apertar, lá voltamos a descer pelo referido caminho de pé posto, com a adição de mais alguns arranhões valentes e até um rabo pisado, fruto de uma escorregadela da Cláudia. Mas não admira, o terreno estava mesmo a proporcionar! Após seguirmos na direcção indicada pela placa, tivemos imensa dificuldade em encontrar a casa florestal e tivemos mesmo que avançar e retroceder algumas vezes. E a desilusão não poderia ter sido maior. É que a casa está totalmente em ruínas. O que nos valeu, foi uma clareira com erva mesmo ao lado, que nos permitiu comer num local razoavelmente aprazível. É uma pena que se deixem chegar as coisas a este estado de degradação.

 

 

Finda a hora da paparoca, lá iniciamos a descida, agora por um outro caminho, visto este ser um percurso parcialmente circular. Foi nesta fase que pudemos testemunhar e mesmo fotografar um momento sublime e quase único, o de uma mamã égua a alimentar o seu filhote. Sem palavras!

O restante trajecto não tem muito mais particularidades que mereçam ser registadas, à excepção do miradouro de Mior que dispunha de uma bandeira branca e que nos criou alguma curiosidade quanto ao seu objectivo. Chegados ao carro, fizemos o habitual lanche e rumamos novamente a cada casa. Foi um dia agradável. No total, este percurso contabiliza 18,9 quilómetros, com um grau de dificuldade moderado. A marcação encontra-se em geral bem realizada e conservada, levando-nos a efectuar uma avaliação bastante positiva.

 

publicado por vagabundos às 16:26
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