Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

santiago de compostela - 10ª etapa

Pedimos antes de mais desculpas a quem sempre nos acompanhou ao longo de todas as jornadas pelo atraso na actualização do blog, que desta vez não se deve a falta de meios (wi-fi), mas ao facto de termos aproveitado ao máximo para confraternizar com os nossos amigos italianos e a sul africana que acabamos por encontrar na missa do peregrino.

Esta última etapa fizemo-la acompanhados pelos italianos, o que nos fez abrandar o ritmo habitual já que o Gianluca primeiro (baptizado desta forma para os distinguirmos) estava muito fatigado e indisposto, tendo sido percorrida “piano piano” (lento lento).

Partindo do albergue de Téo, o caminho é feito por entre bosques, sendo a parte mais interessante, a que confina com o Rio Tinto.

Prosseguimos e em determinada altura, face à inexistência de marcações, acabamos por seguir uma seta feita com cascas de eucalipto. Concerteza alguma partida, já que nos encaminhava no sentido oposto ao pretendido, tendo-nos valido a ajuda de um idoso que nos fez corrigir o rumo.

À passagem de uma ponte que atravessa a autopista, vislumbramos ao longe, por entre a névoa, as torres da Catedral, embora distássemos cerca de 5 kms de Santiago.

Lá fomos tentando algumas fotos, mas o resultado não foi o melhor.

A entrada na cidade é o derradeiro teste às forças do peregrino dado que é necessário vencer uma árdua e prolongada subida.

Entretanto penetramos na apertada malha labiríntica medieval, começando a ver-se em alguns pontos as cúpulas da Catedral, que ora aparecem ora se escondem.

Como previsto, chegamos bastante cedo, o que nos permitiu ir primeiro à oficina do Peregrino, carimbar as credenciar e obter a desejada Compostela. Ainda fomos a tempo de facultar os nossos nomes e origens para serem pronunciados durante a eucaristia celebrada em homenagem aos peregrinos.

De seguida dirigimo-nos para a Praça do Obradoiro, onde pisamos a pedra que simboliza o fim da peregrinação e entramos na catedral pelo Pórtico da Glória, local por onde devem entrar os pergrinos que concluem o Caminho Português.

O que se passou a partir daqui é muito intimo e pessoal e não é fácil transcrevê-lo para um texto, não por escassez de palavras, mas porque as emoções transcendem o nosso vocabulário.

É impressionante a diferença de sentimentos entre uma visita turística, como já havíamos feito e a conclusão de uma longa caminhada, com chuva, sol, muito frio e muito calor, dores, sede, bolhas nos pés e muitos quilómetros percorridos, o que de facto nos purifica a alma e aumenta a nossa capacidade de captação de energias.

Em resumo, a entrada na Catedral permitiu-nos sentir toda a energia que emana deste local, carregada por infinitos peregrinos durante séculos, com um forte e agradável arrepio que nos percorria todo o corpo…

É indescritível e tem mesmo que ser vivido na primeira pessoa.

Foi muito importante para nós o abraço ao Apóstolo e a visita ao seu túmulo, mas o mais importante foi de facto reconhecermos que ao longo da nossa vida, tal como nesta caminhada, carregamos muitas coisas que não são necessárias e das quais normalmente não prescindimos. Podemos de facto tornar as nossas vidas muito mais fáceis…

Após a missa do peregrino, ao que se seguiu o almoço, dirigimo-nos para o Seminário Menor, situado no alta de uma colina, com uma vista fantástica sobre o centro histórico de Santiago de Compostela.

Suseya!

 

publicado por vagabundos às 10:14
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Sábado, 25 de Abril de 2009

Vagabundos na Rota do Xisto – PR9 de Arouca

10 de Abril de 2009, um dos mais importantes feriados religiosos, a sexta-feira Santa. É também um dia tradicional de actividades de vagabundagem! Infelizmente, só o Paulo e o Hélder puderam desfrutar desta oportunidade. O dia começou farrusco, com as nuvens a marcarem presença. Inclusive, tivemos alguma chuva a acompanhar-nos em parte do percurso. No entanto, outros momentos houve, em que o sol e o calor também deram um ar da sua graça.

Este é um percurso circular, com uma extensão total de 16 Km. O início é junto à Igreja de Canelas, mas optamos por faze-lo no sentido contrário ao indicado no prospecto. Esta parte do trajecto é comum à GR28 e assim se mantém até às proximidades da localidade de Vau. Uma boa parte deste troço é feito à beira do rio Paiva, o que o torna muito aprazível. Em alguns locais, tivemos que “forçar” a passagem, pois a vegetação instalou-se por completo no trilho. Também o recente abate de árvores dificultou em muito a nossa jornada, porque estas se encontravam agora no meio do caminho.

Mantendo o rio como companhia, ora mais perto, ora mais longe, ora tendo mesmo que cruzar pequenos afluentes, ora admirando pequenas cascatas, lá fomos avançando, em direcção ao próximo ponto de interesse.

 

 

 

Tivemos que fazer um pequeno desvio da rota, mas valeu a pena. Viemos prevenidos de casa com uma lanterna mesmo para este fim: visitar a mina do pereiro. Não que lá dentro se consiga vislumbrar grande coisa (sobretudo com as nossas pequenas lanternas de amadores), mas é sempre uma experiencia esmagadora. Não só pelo peso da terra que sentimos por cima de nós, mas sobretudo por pensar nas almas que durante séculos, sem grandes meios tecnológicos ou de segurança, tiveram que viver enfiados nestes buracos. Estar 15 minutos lá dentro, é uma experiência engraçada, mas trabalhar horas a fio… deve ser torturante! A entrada é estreita e baixa e à medida que fomos avançando, foi-se tornando ainda mais baixa, obrigando-nos a caminhar completamente curvados e a dar mesmo, aqui e ali, pequenas pancadas com as mochilas ou mesmo com a cabeça, no tecto. A escuridão adensa-se rapidamente, ao ponto de ao fim de meia dúzia de paços, já não se ver um palmo adiante do nariz! Escuro como breu. Bem lá no fundo, existem umas galerias, algumas das quais vedadas para evitar acidentes. Sem sermos grandes especialistas na matéria, estivemos a lançar algumas teorias sobre como decorreriam as escavações e a vida na mina. Até que nos fartamos e voltamos para trás. Foi bom rever o nosso amigo Sol.

 

 

 

Regressados ao trilho, um pouco adiante estacamos com uma paisagem simplesmente soberba. O rio forma um cotovelo com a montanha a trepar por ali acima. A paisagem é fabulosa e até se sente receio de falar, não vá abafarmos o ruído que o rio faz lá bem ao fundo, esmagando-nos com tanta grandeza. Não fosse por mais nada, valia a pena fazer este trilho só para poder desfrutar deste momento.

 

Paramos para a merenda em Vilarinho. Como o tempo estava incerto, procuramos um abrigo. O melhor que conseguimos encontrar, foi uma paragem de autocarro, feita toda em pedra, típica desta região. E ainda bem que o fizemos, pois enquanto trincávamos uma bucha, choveu mesmo.

 

 

Com a mochila mais leve e a barriga mais pesada, lá voltamos a meter as botas ao caminho. O ponto de referência seguinte foi o Centro de Interpretação Geológica de Canelas (CIGC), que infelizmente se encontrava fechado.

 

Daí, seguimos até Aldeia de Cima e chegamos novamente ao ponto de partida, que assim se transformou em ponto de finalização.

 

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Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

santiago de compostela - 9ª etapa

Uma vez que tínhamos tomado a decisão de última hora de ganhar alguma distância de forma a podermos chegar a Santiago antes do meio-dia de 5ª feira, hora a que é celebrada a missa do peregrino, saímos do hotel por volta das 7H30, já que se impunha uma estirada até ao Albergue de Teo.

Com o pequeno almoço já tomado, iniciamos a nossa jornada atravessando a ponte medieval sobre o Rio Bermaña e ao cabo de alguns quilómetros, atravessamos o vale desse rio por entre prados e bosques, que com a névoa da manhã possui um encanto especial.

Chegados ao povoado de Santa Mariña de Carracedo, aproveitamos para tomar o café da manhã e carimbar a credencial. Entabulamos conversa com a proprietária do estabelecimento, que nos descreveu os peregrinos que por lá haviam passado no dia anterior, já que hoje éramos os primeiros.

O Caminho segue por uma zona totalmente rural, com arruamentos muito estreitos, vislumbrando-se inúmeros corvos que aproveitavam as sementeiras recentemente efectuadas para se alimentarem.

Já no coração do povoado, observamos um “pequeno monumento”, constituído por um velho bordão, respectiva cabaça, sendo a rolha da mesma feita da massaroca de uma espiga de milho e respectiva vieira. Estes apetrechos contrastam com os modernos equipamentos que trazemos.

Para nossa satisfação, o percurso volta a efectuar-se em zona verde, na vertente do Rio Valga.

Já próximo de Padrón, mais precisamente em Pontecesures, onde atravessamos a ponte sobre o Rio Ula. O contraste desnecessário de uma enorme fábrica de lacticínios localizada numa das suas margens, retira a beleza e o enquadramento idealizado por quem instalou um miradouro precisamente para tal cenário.

Felizmente, a montante da ponte tal não se passa, permitindo-nos desfrutar de uma interessante vista sobre o largo leito do rio no ponto de confluência e a montanha mais ao fundo.

Segundo a lenda, foi por este rio que subiu a barca com o corpo de Santiago, para aportar em Padrón.

Infelizmente não conseguimos entrar na Igreja de Santiago, onde está o padrão onde foi amarrada a barca do Apóstolo e que deu o nome à cidade.

Aproveitamos para almoçar algo ligeiro em Padrón e seguimos em direcção a Teo.

Passada Iria Flavia, caminhamos sob um sol abrasador, que tornou a restante etapa um pouco penosa.

Na fonte situado junto ao Santuário da Senhora da Escravitude, aproveitamos para nos refrescarmos e atestarmos as nossas garrafas. Tentamos também nesta igreja entrar mas, à semelhança das restantes, encontrava-se fechada.

O restante percurso por estradões e atalhos lá chegamos a Faramello, donde desviamos do caminho para alcançarmos o Albergue de Teo. Dirigimo-nos ao café local para obter a chave e qual não é o nosso espanto, cerca de 30 minutos depois, quando regávamos uns belos amendoins com umas refrescantes cervejas, chegam os nossos companheiros italianos, que haviam alterado os seus planos iniciais, tendo também eles pernoitado em Caldas de Reis.

Estes presentearam-nos com um belo prato italiano, de spagueti com atum, que estranhamente até para mim (Nuno), que abomino atum, reconheço que estava agradavelmente comestível...

Ultreya!

 

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Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

santiago de compostela - 8ª etapa

Refeitos por uma noite bem dormida e bem aproveitada dada a boa vontade dos voluntários responsáveis pelo Albergue, todos os peregrinos acordaram por volta das 8H30 e nós não fomos excepção.

Como ontem não conseguimos actualizar devidamente este blog, dirigimo-nos para o café da estação ferroviária, onde ontem já havíamos estado e curiosamente, fomos servidos por um português e mais curioso ainda ter sido nosso vizinho em Vila Chã. O mundo é mesmo pequeno…

Por isso, começamos a caminhar por volta das 11H00.

Depois da visita à Igreja da Virgem Peregrina, uma das maiores referências do Caminho Português, por falta de sinalização, acabamos por demorar um pouco mais a sair do centro de Pontevedra, que é digno de visita bem mais demorada.

Abaixo registamos além da Igreja da Virgem Peregrina, a de S. Francisco e a Ponte Milenar do Burgo, onde o Rio Lérez desagua na Ria de Pontevedra.

Caminhamos paralelamente ao Rio Gândara, pensando a Cláudia ter andado tanto para chegar a casa dos pais.

Segue-se a Igreja de Santa Maria de Alba, junto à qual existe uma estátua que homenageia os peregrinos.

Atravessar o bosque que conduz a S. Mauro deu-nos bastante prazer e o facto do caminho estar completamente inundado, fez-nos reconhecer da importância de trazer calçado impermeável, que o digam uns peregrinos espanhóis, que efectuaram essa parte do percurso quais “elefantes saltando suavemente de nenúfar em nenúfar.

Depois do almoço em S. Mauro, caminhamos sobre um sol abrasador que, agravado pelas parcas fontes existentes, acabaram por tornar o restante percurso menos agradável. A saída tardia para iniciarmos a caminhada acabou por se revelar muito fatigante.

Já em Briallos, observamos a indicação do Albergue, onde nos desviamos para carimbar as credenciais e ficamos a saber, que até esse momento, apenas haviam chegado três peregrinos.

Continuamos até Caldas De Reis, onde existe uma estância termal, com um agradável bar com esplanada e uns magníficos gelados, que repuseram o dobro das energias gastas.

Procuramos o Hotel que nos havia sido sugerido por um elemento da protecção civil, onde estamos a escrever e que se revelou uma excelente escolha tendo em conta o binómio qualidade/preço.

Escusado será dizer que aproveitamos para um bom banho de banheira, encorajando-nos a pôr a escrita em dia (do blog claro!).

Ultreya!

 

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Terça-feira, 21 de Abril de 2009

santiago de compostela - 7ª etapa

Hoje, por volta das 5H00 da madrugada, fomos acordados abruptamente pelo grupo de portugueses, que pretendia ganhar tempo e atingir um ponto adiante, incomodando todos os peregrinos à sua volta.

Entretanto, chegou a hora de preparar a saída, directa para o café situado mesmo em frente ao albergue, começando a caminhada pelas 8H20.

A primeira fase do percurso é efectuada pelos subúrbios da cidade, onde encontramos, aqui e ali, entre prédios, alguns espigueiros, que se destacam no meios das recentes construções.

Entretanto, subimos em direcção ao Alto da Lomba, onde a vista é estupenda para a Ria de Vigo.

Passada a mancha florestal, encaminhamo-nos para Arcade, onde carimbamos a credendial no posto da Guardia Civil.

Seguiu-se Ponte Sampaio, com a sua ponte medieval, que atravessa o Rio Verdugo, onde, de acordo com o guia, ocorreu uma das mais sangrentas batalhas na campanha de 1809 contra as divisões de Napoleão, que se dirigiam para Portugal. Foi tal a ferocidade que ainda hoje a população local põe aos cães o nome dos generais franceses.

Atravessada a dita ponte, sentimos no ar um perfume a pão acabado de cozer a lenha, pelo que nos apressamos a saber do seu paradeiro, onde acabamos por adquirir um belo pão de mistura acabado de sair do forno, o que embelezou ainda mais a pitoresca aldeia piscatória.

Voltamos a entrar numa mancha verde que nos conduziu ao Alto da Canicouva e a uma refrescante fonte, onde aproveitamos para atestar as nossas garrafas e conversar um pouco com um idoso, que como viemos a saber, contava quantos peregrinos passavam por ali em cada dia.

A Capela de Santa Marta, à semelhança de outras, é mais um local de culto que se encontra ao longo do Caminho, dando mais sentido espiritual ao peregrino que sendo cristão, aproveita para rezar e meditar sobre o sentido da sua senda.

Em Tomeza observamos novamente uma demonstração de apoio aos peregrinos pela população local, espelhada em várias estátuas e monumentos, como os que retratamos.

Precisamente em frente ao Albergue, encontra-se um café e restaurante, onde encontramos os nossos dois amigos italianos, chamados ambos Gianluca e a sul africana Pascal, que acabou por optar seguir um pouco mais adiante após o almoço, bastante regado tendo em conta o aniversário de um dos italianos. Parabéns – Compleanno.

Ultreya!

 

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Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

santiago de compostela - 6ª etapa

Pedimos muitas desculpas aos nossos seguidores, mas a razão do atraso não tem a ver com cansaço, mas com indisponibilidade de internet, já que a generalidade das wi-fi zones, apenas o são nos vidros, dentro dos estabelecimentos não existe.

A net móvel que trazemos não funciona em Espanha, mas o problema está para já resolvido...

Entremos no que interessa:

Já pelas normas dos albergues espanhóis, às 22H00 da noite (hora espanhola), estávamos a entrar nos sacos cama, esperando-se uma energizante noite de sono, embora temêssemos que as festividades em honra de S. Telmo nos pudessem incomodar.

Uma vez deitados, verificamos que o ruído das festividades mal se ouvia, evidenciando-se o ressonar profundo de um dos peregrinos, por vezes interrompido por um seu parceiro que o tentava silenciar. Só resultava durante uns breves 20 segundos.

Já ambientados com a melodia, fomos surpreendidos por o remanescente da festa, ou seja, um grupo de jovens movidos certamente a álcool ou a outra substância catalítica de emoções, que se instalaram por baixo das janelas do Albergue, com conversas, gritos e cantorias, que não devem ter deixado dormir ninguém, e claro, nós não somos a excepção e não “pregamos olho”.

Quando saímos, por volta das 8H00 (outra das imposições dos Albergues espanhóis), cruzamo-nos ainda com alguns deles.

Como prometia, trata-se de uma etapa dura, registando-se o local da morte de S. Telmo, em honra do qual decorreram as festividades de ontem em Tuy, que pereceu aquando da peregrinação a Santiago.

Depois de ultrapassarmos um grupo de portugueses oriundos de Peniche, mas que haviam iniciado a peregrinação em Tuy, percorremos uma mancha verde, atravessada pelo Rio Louro, isto até entrarmos no polígono industrial do Porriño, que quase nos fez voar a cerca de 6 kms/hora, e isto por ser domingo e não haver movimento na zona, noutro dia seria terrivelmente pior.

Finalmente chegados a Porriño, fomos presenteados com a volta à Galiza em bicicleta, sendo grande o número de policias na zona.

Aqui existem vários edifícios dignos de destaque, mas claro, optamos por fotografar alguns deles.

Face à hora (11H30), aproveitamos para almoçar uns belos “bocadillos” regados por cerveja.

Rumamos a Mós e aproveitamos para carimbar a credencial junto ao albergue, que estava encerrado. Trata-se de um lugarejo repleto de história, que se encontrava a celebrar o aniversário da derrota dos invasores franceses.

Seguiu-se Cabaleiros, onde, como o nome indica, cruzamos por várias pessoas montadas a cavalo.

A partir desse ponto encontramos uma subida mediana, que nos encaminha por zona florestal ao topo do Monte Cornedo, onde encontramos estes interessantes monumentos e um verdadeiro marco miliário.

Um pouco adiante, já na área de descanso, temos uma vista sobre o nosso destino, que segundo o guia dista cerca de 3 kms, o que não corresponde à realidade, tal como o perfil. Uma descida muito íngreme e prolongada veio-nos relembrar os problemas do nosso amigo Manel Celestino com as descidas…

Chegamos por fim a Redondela, onde voltamos a encontrar os nossos companheiros italianos, com os quais entramos no mais bonito e arranjado Albergue do Caminho, de acordo com os guias e que para já, corresponde à realidade.

Ultreya!

Nota: Significado de Ultreya - É uma palavra de origem latina que aparece pela primeira vez no "Códice Calixtino"(1º guia do Caminho de Santiago). Aimerico Picaud sacerdote que o escreveu, refere que a palavra "Ultreya" era pronunciada pelos peregrinos que chegavam a Catedral de Santiago como a mostrar o seu jubilo de ter chegado ao fim de sua peregrinação. Etnologicamente a palavra Ultreia (ou também eultreja), vem de Ultra-joia, que significa: "mas alla del jubilo" e não significa somente uma forma de verbalizar a alegria de ter chegado a Catedral de Santiago, mas algo como: "para frente" em busca da realização de um objectivo, de uma meta a qual tendo fé iremos alcançar, mesmo diante das dificuldades não deveremos desistir.

 

publicado por vagabundos às 16:42
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santiago de compostela - 5ª etapa

Depois de uma noite bem passada em Rubiães, lá partimos nós, uma vez mais os últimos a abandonar o Albergue, que apesar de recente, tem sensivelmente o mesmo número de registos que o de S. Pedro de Rates.

Rumamos a um pequeno café com mercearia e casa de sementes, um verdadeiro tudo em um, na freguesia do Cossourado, onde ganhamos algum tempo de conversa com o simpático proprietário, que nos preparou umas belas sandes de fiambre com pão.

Passado o Coura, subimos ligeiramente para S. Bento da Porta Aberta, sendo visíveis ao longo do caminho diversas marcas de outras rotas, bem como marcos milenários que assinalam a Via Romana do Atlântico.

Após Fontoura, atravessamos uma ponte Romana, que atravessa o Rio Pedreira, onde ultrapassamos a nossa companheira sul africana, que aproveitava os raios de sol, saboreando uma cerveja, segundo ela muito boa, mas que desconfiamos por não estar à temperatura ideal. Ai se estivesse!

Como tínhamos decidido, paramos em Tuido para almoço, no entanto, contrariamente ao planeado, decidimos dar outro tipo de alimento ao corpo, deixando a bela broa e o queijo para mais tarde, que não deixaram saudades perante a bela carne assada e respectivas batatas de acompanhamento, regadas por um vinho verde tinto. Era mesmo o que precisávamos…

Entretanto, mesmo às portas de Valença, fomos surpreendidos com a decoração, algo estranha, de um jardim, cravejado de garrafas e vieras, o símbolo mítico de Santiago, para auguro de boa viagem, que se confirmou.

Já em Valença, trepamos o vale que cerca o forte, completamente repleto de jovens escuteiros em actividade.

Procuramos a ponte internacional, avistando-se a Sé Catedral de Tui, para onde nos dirigimos rumo ao Albergue existente nas imediações, mas ao qual, só com ajuda chegamos face à inexistência de indicações para o mesmo.

Hoje podemos dizer estar com a casa cheia, dado haver inúmeros peregrinos a iniciar o Caminho a partir deste ponto. Decorrem por esta altura as festividades em honra de S. Telmo, mas que não acompanharemos face ao regulamento rígido do Albergue, em termos de horários, isto para não darmos parte de fracos e admitir necessitarmos do descanso para a etapa de amanhã…

Ultreya!

 

publicado por vagabundos às 10:04
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santiago de compostela - 4ª etapa

Pois bem, o traçado de hoje, apesar de pouco extenso apresentava algumas subidas bem pronunciadas, que o distinguem como o mais declivosa de todo o itinerário que estamos a cumprir.

Aproveitamos para descansar ao máximo, tendo a saída de Ponte de Lima sido por volta das 10H00, debaixo de alguma chuva, que entretanto aliviou e não nos importunou durante o resto da viagem.

Logo após atravessarmos a Ponte Romana Gótica sobre o Lima, entramos num belo caminho rural que deixava antever um belo percurso, expectativa que não foi felizmente lograda.

Apesar de não termos documentado fotograficamente o centro da cidade, belíssimo, aqui fica um registo de um solar, que à semelhança de inúmeros outros que mereceriam o mesmo destaque, é bem ilustrativo da riqueza patrimonial destas paragens.

Para os amantes da montanha como é o nosso caso, não passa despercebida a flora que pinta os montes e colinas, ora de amarelo ora de roxo, sendo a época em que nos encontramos óptima para apreciar tojos, carquejas e urzes floridas, entre outros.

Grande parte do percurso faz-se paralelamente ao rio Labruja, com várias cascatas naturais e açudes, que face ao elevado caudal acentuam a sua beleza.

Não podíamos deixar de retratar um belo espigueiro, ladeado por antigos carros de bois, que fariam certamente a delicia do nosso amigo Paulo

A partir da freguesia de Labruja, contávamos com uma bela subida de 350 m em 3 kms, pelo que aproveitamos para nos refrescarmos e abastecer de água na fonte das Três Bicas.

À semelhança do que já havíamos sentido, os bastões de caminhada são de facto um utensílio importante na preservação das articulações, incutindo um ritmo constante de subida e claro, no caso da Cláudia, evitou o habitual colocar de mãos nos rins…

Chegamos entretanto a meio da encosta, que em alguns casos deve rondar os 30% de inclinação, à denominada Cruz dos Franceses, que assinala o local onde a população emboscou os retardatários do exército de Napoleão na invasão de 1809.

De acordo com o planeado, prosseguimos a subida até à Portela Grande, onde chegamos completamente suados, mas felizes pelo nosso soberbo desempenho, pois chegamos à conclusão que a subida se fez acima dos 3 km/h.

Após pausa para almoço, recomeçamos a caminhada, praticamente toda ela descendente e que nos fez desejar mais subidas, já que os joelhos se começavam a ressentir ligeiramente, mas rapidamente esquecidos pela contemplação de uma paisagem tão nossa conhecida, o Vale do Coura, onde inclusive nos cruzamos com um trilho já por nós realizado.

Já à chegada do Albergue de Rubiães, onde nos encontramos a escrever esta mensagem, fomos ultrapassados por um conjunto de ciclistas portugueses, oriundos de Braga, bastante satisfeitos com a descida, já que haviam carregado as bicicletas às costas na malograda subida.

Chegados ao Albergue, que possui excelentes condições, encontramos dois outros peregrinos, um francês a realizar peregrinação a Fátima desde Santiago de Compostela e uma sul africana a realizar o mesmo itinerário que nós.

 Ultreya!

publicado por vagabundos às 09:57
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santiago de compostela - 3ª etapa

O conforto da residencial onde pernoitamos, justifica o atraso na saída de Barcelos, de onde, após o pequeno almoço, saímos por volta das 08H40.

Rumamos então para a nossa etapa, que apesar de não prever grandes desníveis, é extensa o suficiente para nos deixar saudosos da de ontem.

Como alternativa à estrada nacional, seguimos por Vila Boa, onde após travessia da passagem de nível (linha ferroviária do Minho), encontramos os vestígios recentes de um grupo de 4 caminhantes, pressupondo-se terem sido deixados pela passagem dos nossos companheiros do primeiro dia. A verdade é que pegadas fomos vendo aqui e ali, seguimos no seu encalço, mas eles, nem por sombras… presumimos estarem perfeitamente bem.

Lá continuamos, fazendo-se um pequeno destaque para a Capela da Srª da Portela, sita no lugar com o mesmo nome.

No percurso, voltamos a cruzar a GR11 E9, que apuramos tratar-se da grande rota do Caminho de Santiago, marcada pelo concelho de Barcelos, com inicio em S. Pedro de Rates e conclusão em Ponte de Lima. Constatamos que algumas (bastantes) ruas de freguesias vizinhas, colocaram na toponímia dos arruamentos atravessados pelo caminho, referencias ao mesmo, predominando mesmo “Rua do Caminho de Santiago”.

Descemos até ao Rio Neiva, que atravessamos através designada de “Ponte das Tábuas“, embora seja integralmente construída em pedra.

Seguiu-se o traçado antigo, que nos conduziu por entre terrenos agrícolas, onde deparamos com um marco contendo uma inscrição Templária. Chegamos por fim a Vitorino dos Piães, onde almoçamos no único restaurante existente.

Já aconchegados pelo imenso almoço que nos foi apresentado, prosseguimos entre chuva e sol, que refira-se, nos obrigou a inúmeras paragens e/ou abrandamentos para colocação e retirada dos impermeáveis, que diga-se, evitam a entrada da chuva, mas acumulam toda a condensação interior.

Contas feitas ter-nos-á atrasado cerca de 1 hora.

Entre cantorias lá continuamos, atravessando Santiago do Passo até ao Rio Trovela, onde na sua margem existe a capela da Srª das Neves, com um curioso púlpito exterior, usado para celebração eucarística na festividade que decorre em Agosto, isto segundo uma simpática senhora, que nos confidenciou ter ficado encantada com a nossa pequena conversa, referindo mesmo “ter ganho o dia”. Nós também o ganhamos pela sua simplicidade e simpatia.

Por fim, cerca das 18H30, lá chegamos a Ponte de Lima, junto ao rio, até à biblioteca municipal, onde nos foi referido estar a ser concluído um albergue para acolher os peregrinos, mas que ainda não estava em funcionamento.

Optamos por isso por uma modesta residencial no Largo de S. João, onde comemos um belo arroz de sarrabulho e onde elaboramos este post.

Ultreya!

 

publicado por vagabundos às 09:48
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Quinta-feira, 16 de Abril de 2009

santiago de compostela - 2ª etapa

Como a proposta para o dia de hoje não era muito extensa, aproveitamos por descansar um pouco mais, sendo a saída de S. Pedro de Rates efectuada por volta das 10H00, depois de um pequeno almoço reforçado.

À semelhança do dia de ontem, escassos metros após a saída, encontramos um grupo de cerca de 20 peregrinos oriundos de Espanha, com idades a rondar os 60 anos.

Logo entabulamos conversa e ficamos a saber se encontram a realizar o caminho de Santiago, em etapas modestas, de cerca de 10 a 15 kms diários, sendo seu intuito, nestes 10 dias que se propuseram caminhar, percorrer desde a cidade do Porto até Viana do Castelo, para mais tarde, realizarem da mesma forma o restante percurso.

Quando chegamos a Pedra Furada já aí se encontrava o autocarro para recolher todo o grupo e mais uma vez, seguimos viagem sozinhos.

Aproveitamos para retemperar forças junto da igreja da Sr.ª da Guia, altura em que fomos ultrapassados por um outro peregrino, um pouco “suigeneris”, já que levava uma protecção para a mochila e um guarda chuva para si.

A partir daqui a chuva foi uma constante, com umas boas saraivadas à mistura.

Seguiram-se Pereira e Carvalhal, duas freguesias situadas no sopé do monte da Franqueira.

Pudemos constatar a marcação de uma grande rota (GR11), que coincide em parte com este caminho central.

Uma vez mais, parte do itinerário fez-se por estrada nacional, sem berma, com atenção redobrada.

Passada a ponte sobre o Cávado, chegamos por fim a Barcelos, onde observamos parte do seu magnifico património arquitectónico, sendo digno de destaque o Paço Ducal, igreja matriz e edifício da Câmara Municipal.

Almoçamos no centro histórico e seguimos rumo à Casa de Saúde de S. João de Deus, onde soubemos que há mais de um ano que não acolhe peregrinos.

Como alternativa optamos por uma residencial, o que nos permitiu um belo banho de imersão e pela generosidade dos hospedeiros, secar as roupas que entretanto haviam sido lavadas. 

Ultreya!

publicado por vagabundos às 09:44
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