Sexta-feira, 29 de Agosto de 2008

vagabundos nos caminhos da fé

Dois dos vagabundos – Paulo e Hélder – juntaram as respectivas famílias e decidiram passar uma semana de férias em Mangualde da Serra, concelho de Gouveia. Como é óbvio, numa localidade destas, o desejo de efectuar as actividades de que tanto gostam, fala ainda mais alto. Assim, após se terem instalado no Sábado, decidiram efectuar o PR2 – Caminhos da Fé, logo na 2ª feira seguinte, dia 04 de Agosto de 2008.

Trata-se de um percurso de âmbito cultural, ambiental e desportivo, com uma extensão de 16 Km, com início em Gouveia e passando por localidades como Vinhó, Moimenta da Serra, Mangualde da Serra, Aldeias e como se trata de um percurso circular, finalizava novamente em Gouveia. Visto que o percurso cruza a aldeia onde nos hospedamos, iniciamos o trilho desse ponto.

Eram 8:20h da manhã. A temperatura estava agradável para uma actividade deste género, sem estar qualquer frio, soprava uma aragem leve mas fresca. Após um pequeno período de aquecimento e alongamentos, lá pusemos botas ao caminho. Como o próprio nome indica, o principal motivo de interesse deste percurso está relacionado com o património religioso, que podemos encontrar em grande abundância ao longo de todo o trajecto.

A primeira capela que encontramos, foi erigida em honra de N. Sra. de Lugand, cuja imagem protegida no interior do edifício, foi trazida da Argentina por emigrantes locais. Depois, fomos caminhando por caminhos e ruelas, até encontrarmos a capela de N. Sra. do Monte. Uma placa no exterior do edifício, explica que no dia de festa, os pastores largam as suas ovelhas para que elas corram em volta do edifício, como sinal de oferenda.

À medida que fomos avançando, aproveitamos para ir colocando a conversa em dia, porque infelizmente, durante o resto do ano, cada um anda tão absorvido nas suas tarefas, que nem sempre é possível dialogar sobre certas matérias. No entanto, os sentidos estão sempre alerta e não descuraram a oportunidade de captar um momento sempre de alguma magia, ao avistarmos um esquilo na sua lide diária. Infelizmente, após ter estado uns bons 10 a 15 segundos parado a pouco mais de 15 metros, não quis nada connosco quando decidimos sacar da máquina fotográfica, tendo-se posto em fuga.

Passe o pleonasmo, a aldeia seguinte pela qual passamos foi Aldeias! Esta é por certo terra de queijeiras e de poetas populares. Em virtude disso, os responsáveis locais tiveram o bom gosto de afixar inúmeras quadras populares em painéis de pedra, em diversos edifícios e monumentos espalhados pela aldeia. Eram em tal quantidade, que não tivemos tempo para as ler todas. Mas podemos afirmar, que há algumas bem catitas e a valerem bem a pena o tempo que lhes dispensamos.

De seguida, o trajecto passa pela Igreja de S. Sebastião e pela Igreja Matriz. Já às portas de Gouveia, o trajecto faz-nos atravessar o seminário local, mantendo o nome do percurso fiel a si próprio. Já dentro da cidade, encontramos uma capela perto do museu Abel Manta (famoso pintor local nascido a 12.10.1888 e falecido a 09.08.1982) e logo de seguida as igrejas Matriz e da Misericórdia, sitas na praça de S. Pedro.

Aqui, aproveitamos para efectuar a pausa matinal para o pequeno-almoço e o tradicional pingo – ou antes café pingado, que é como se chama por estas bandas. No centro da cidade, pudemos ver ainda uma outra capela, antes de nos embrenharmos em escadarias que nos levaram à capela de S. Julião, que também dá nome a esta freguesia.

Após abandonarmos a zona mais citadina, o trajecto tornou-se, em nossa opinião, mais interessante e atractivo, uma vez que aumentou o contacto e a envolvência com a natureza. Foi neste cenário que cruzamos o convento de S. Francisco, que é por estes dias propriedade privada. Apesar disso, os detentores deste espaço, permitem a visita exterior do edifício. O trajecto mantém depois as características até chegarmos a Vinhó. Aqui deparamo-nos com uma Igreja que também já foi um convento. No seu interior, está guardado um verdadeiro tesouro artístico, pois conta com dezenas de pinturas a óleo sobre madeira, no tecto do edifício. Infelizmente, não pudemos verificar tal facto, pois encontrava-se fechada. No entanto, mais tarde voltamos lá e procuramos quem nos abrisse a porta e permitisse a visita. Aproveitamos também para agradecer a simpatia do Sr. Presidente da Junta de Freguesia e da sua esposa, que acederam não só a deslocar-se até aqui para nos abrir a porta, como inclusive para nos explicarem um pouco da história em torno deste edifício. Só para levantar um pouquinho do véu, podemos dizer que a freira que aqui habitava o convento no tempo das invasões francesas, tinha a imagem do menino vestido de soldado! E ainda hoje esse menino se encontra num altar deste edifício.

De volta à estrada, fizemos de seguida uma parte de trajecto em que nada de significativo há a registar, até que chegamos à capela de N. Sra. do Porto, que tem um espaço exterior muito acolhedor. Deste ponto, arrancamos para o último trajecto até chegarmos a casa, não que sem antes, passássemos pela capela de S. João e pela Igreja de Mangualde da Serra, em honra de S. Vicente. Esta última situa-se quase à porta da casa da qual fizemos residência durante esta semana.

Trata-se de um percurso bastante acessível para qualquer praticante, com ou sem experiência, desde que se cumpram e salvaguardem as regras básicas de participação neste tipo de actividades.

 

 

 

 

publicado por vagabundos às 14:13
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