A caminhada ao longo desta eco-pista tinha dois objectivos fundamentais: preparar uma parte dos elementos para uma prova bem mais dura que se avizinha, e aliviar a consciência nutricional de cada um, visto que no final do dia, iriam rumar à bela da Francesinha e da cervejola :)
Foi por isso um grupo numeroso e bem disposto, aquele que rumou a Valença para dar início a esta caminhada. Tratando-se de uma ecopista cujo piso se encontra totalmente asfaltado, foi possível a participação em massa de elementos que até nem são muito habituais. Mas a tónica da Francesinha também deve ter pesado de sobremaneira...
Utilizamos a estratégia habitual em termos de logística, sendo que antes de iniciarmos o exercício, colocamos estrategicamente uma viatura em Monção. Apesar do objectivo passar por fazer ida e volta, não era de desprezar a possibilidade de alguns dos elementos menos habituados a estas andanças poderem querer desistir a meio.
Foi uma caminhada agradável, efectuada sob um sol inclemente. A desistência após o almoço de 2 elementos, permitiu que a meio do trajecto de regresso presenteassem os restantes vagabundos com umas cervejas bem geladas. Talvez como preparação para a noite...
A actividade acabou em grande estilo e prazer gastronómico, com os vagabundos a banquetearem-se com uma excelente francesinha, para recuperar as calorias perdidas durante o dia, e com uma bela Dominus, cerveja Belga que acompanha esta iguaria tripeira com uma harmonia impressionante...afinal, vagabundos não são só caminhadas...
Frequentadores habituais que são da serra da Freita, os Vagabundos estavam com imensa vontade de efectuar esta rota, desde o dia em que foi anunciada a sua inauguração. No entanto, ao analisarem o percurso, constataram que a logística torna impossível a sua realização. Analisadas as opções possíveis, concluímos que ou nos armávamos em super-pedestrianistas e fazíamos de papa quilómetros, ou tínhamos que dividir esta rota em mais que uma actividade. Porque se por um lado, não há qualquer abrigo para pernoitar, por outro só há um local para acampar de forma legal! Isto para já não falar no facto de até à data, ainda não termos percebido como é que se faz a travessia do rio...
Para esta caminhada, apenas se mostraram disponíveis os vagabundos Paulo, Luís, Hélder e António. Este último, sendo uma contratação recente para o nosso grupo, merece ser apresentado ao estilo formal: Sr. António Lourenço. Foi obviamente bem vindo ao grupo, não só porque é um internacional, ou não tivesse ele efectuado já diversas caminhadas nos alpes franceses, local onde morou durante longos anos, mas também e sobretudo, porque está permanentemente imbuído de um espírito que harmoniza completamente com o resto do grupo: boa disposição e companheirismo e sobretudo, espírito de simplicidade perante a vida.
Como não conseguimos descortinar nenhuma solução para a questão da logística, optamos por dividir esta rota em duas partes, sendo que o objectivo passava pela realização de metade durante este ano, e o restante no próximo. Iniciamos esta actividade no centro de Arouca e tivemos que recorrer à logística habitual e à simpatia e disponibilidade habitual dos Bombeiros locais, neste caso os de Arouca. cederam-nos amavelmente instalações para nos banharmos e pernoitarmos. O jantar desse dia, ficou mais barato, pois ao olhar para o chão durante o percurso, os vagabundos encontraram uma nota que lhe facilitou as contas :)
Trajecto muito agradável, com o tempo a ajudar, e um espírito de camaradagem que tornaram estes dois dias muito agradáveis.
Apenas os vagabundos Paulo, Luís e Hélder estavam disponíveis para alinhar na tradicional caminhada de Sexta-feira Santa. Às 7:40h, juntaram-se rumo a Arouca, onde após o tradicional pingo, se dirigiram ao Santuário da Sra. do Monte, local onde se inicia este percurso. Eram 9:15h quando começaram a caminhar.
Esta é uma rota circular, com uma extensão de 19 quilómetros. Ao fim do primeiro quilómetro há uma bifurcação, no Fojo, pelo que se pode escolher fazer a parte circular começando por Bustelo ou pelo Alto do Coto. Por esta altura, estamos a uma cota de 829 metros e pela nossa frente, encontrava-se uma subida até aos 1222 m, com um declive muito acentuado. Pena que o tempo estivesse um pouco nublado, pois a paisagem para lá da névoa parecia ser deslumbrante. Era pelo menos essa a nossa ideia quando clareava um pouco, o que acontecia cada vez menos, à medida que subíamos. Face à dureza do declive, fomos perdendo um bocado da energia inicial, mas continuamos a avançar a um ritmo impressionante. Quando chegamos ao parque das eólicas, começou uma chuva, que inicialmente pensamos ser apenas uma pequeno ameaço, mas a verdade é que ao fim de dois ou três minutos em que prometia não abrandar, optamos por vestir os impermeáveis. Mais um pouco para cima e eis que chegamos ao marco geodésico. Finalmente, o Luís ficou a saber o que isso é. Pena que o Vítor não estivesse também presente. Teria sido uma excelente lição a dois!
O plano inicial passava por almoçar neste ponto, mas a forte chuva e o vento extremamente forte que se fazia sentir impossibilitou que o fizéssemos. Olhando à volta, parecia que estávamos no meio de uma tempestade, daquelas que só se vêem na televisão. Chuva, vento, nevoeiro…
Desta forma, começamos a descer, com a esperança que a chuva abrandasse e pudéssemos então merendar em melhores condições. A descida revelou-se uma enorme e divertida aventura. Efectuada por caminho de pé-posto, em virtude da chuva e do denso nevoeiro, praticamente só nos podíamos arriscar a sair de uma marca se estivéssemos a avistar a seguinte. Caso contrário, arriscávamo-nos a sair completamente do trilho. Houve uma ou outra ocasião em que tal não foi possível e tivemos que pesquisar o terreno envolvente. Tal tarefa revelava-se no entanto difícil e até mesmo perigosa. Se qualquer tipo de exagero, podemos dizer que depois de 5 passos dados em direcções opostas, já não nos conseguíamos ver uns aos outros. Era incrível e foi uma verdadeira aventura, que na verdade não desagradou a ninguém. Foi muito divertido fazer esta descida e a adrenalina foi subindo. No entanto, à medida que fomos descendo, foi-se tornando mais fácil seguir o trilho e paralelamente as condições meteorológicas foram melhorando, baixando em muito o índice de imprevisibilidade.
Depois de termos descido “tudo”, aproveitamos que já não chovia e optamos por almoçar perto do rio. Depois, voltamos ao caminho e só voltamos a parar para tomarmos um café numa aldeia.
Fomos seguindo o nosso caminho sem que a chuva nos atormentasse muito mais, até voltarmos ao ponto de onde tínhamos saído. Foi uma aventura muito porreira.
Para esta primeira actividade do ano 2010, reuniu-se um grupo de Vagabundos perfeitamente inédito. Nuno, Paulo, Mário, Luís, Vítor, Marta, Anabela e Hélder. Saídos de diferentes pontos geográficos, lá se encontraram todos para o tradicional pingo matinal, antes de rumarem à igreja onde se inicia esta rota.
Logo de início, o declive é acentuado, fazendo esquecer o frio que se fazia sentir e obrigando mesmo a tirar alguns dos agasalhos iniciais. Um dos principais problemas com que nos deparamos não é novo: marcação do percurso muito defeituosa e ausência de documentação que compense essa situação (os prospectos dos percursos disponibilizam pouquíssima informação). Por isso mesmo, a dada altura vimo-nos a passar num ponto onde já havíamos passado!
Tivemos que voltar para trás, por um caminho perfeitamente penoso, o que nos deixou um pouco derrotados psicologicamente. Episódios destes repetiram-se mais algumas vezes. De tal forma, que no final, não soubemos dizer qual a percentagem correcta que fizemos do troço.
Uma coisa é certa, caminhamos as horas “normais” neste tipo de actividades e pertencendo ou não ao trilho original, os caminhos percorridos foram muito agradáveis, não só pelo magnífico espírito de amizade e companheirismo do grupo, mas também pela beleza dos mantos de neve que fomos vislumbrando. Obviamente que um dos passatempos preferidos nesta actividade, foi quebrar as poças de água congeladas… coisas de criança J
No final, estávamos todos cansados, sobretudo psicologicamente, pelo tempo que passamos à procura do trilho correcto, mas o balanço geral era de satisfação, por mais um dia passado em grande camaradagem.
A Linha Ferroviária do Sabor que ligava a estação do Pocinho (Linha do Douro) a Duas Igrejas, foi construída de forma faseada e, o seu longo atraso na conclusão, ditou, por falta de verbas, que nunca chegasse a Miranda do Douro.
A Linha do Sabor possui a maior rampa ferroviária contínua em Portugal, sendo que nos 12 km que distam entre a estação do Pocinho e de Torre de Moncorvo que, se vencem em 280 metros de desnível, num traçado sinuoso de rara beleza, era necessário a meio do percurso realizar uma paragem técnica na denominada "estação da Grincha", para que as locomotivas a vapor pudessem recuperar a pressão e continuar a longa subida. De Torre de Moncorvo até Felgar a rampa continuava, vencendo-se em 13 km 260 metros de altitude, o que prefaz uma rampa contínua de 25 km, necessário para que os comboios subissem o Douro, contornassem a Serra do Reboredo, e pudessem entrar no planalto mirandês.
A abertura da Linha do Sabor foi realizada da seguinte forma:
Pocinho - Carviçais - 17 Setembro 1911
Carviçais - Lagoaça - 06 Julho 1927
Lagoaça - Mogadouro - 01 Junho 1930
Mogadouro - Duas Igrejas - 22 Maio 1938
Torre de Moncorvo foi de todas as quatro sedes de concelho que a linha atravessa, a única a ter estação no próprio povoado. Freixo de Espada a Cinta, Mogadouro e Miiranda do Douro tinham as respectivas estações longe do centro, e que em último caso condenou a longo prazo a linha ao declínio da sua procura. Acelerado pelo despovoamento que a emigração ditou na segunda metade do século XX, o desinvestimento na via férrea teve o seu início. O material traccionado a vapor durou até ao seu encerramento, tanto para os comboios de passageiros, como de mercadorias e mistos. Para os passageiros surgiu ainda uma pequeníssima automotora fruto de um projecto nacional, que tinha a carroçaria de autocarro e era impulsionada por um motor a gasolina. O material anacrónico começou a ser substituído gradualmente por circulações rodoviárias, deixando nos últimos anos de exploração ferroviária apenas uma circulação de comboios em cada sentido, que fizesse integralmente os 105 km do Pocinho a Duas Igrejas, e duas que cumprissem apenas o Troço Pocinho - Mogadouro.
A 1 de Agosto de 1988 estava tudo acabado na Linha do Sabor.
A Grande Rota que se pretende realizar entre 30 de Setembro e 02 de Outubro de 2009 é da seguinte forma:
Duas Igrejas - Mogadouro - 32,8 km
Mogadouro - Freixo de Espada a Cinta - 30,3 km
Freixo de Espada a Cinta - Torre de Moncorvo - 30 km
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